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Bailado em quatro atos. Música de Piotr Ilyitch Tchaikovsky (Opus 20). Libreto de V. P. Begitchev e Gelster. Coreografia de Marius Petipa e Lev Ivanov. História de V. P. Begitchev e Vasily Geltzer.
Um dos mais célebres bailados de todos os tempos, sofreu uma série de percalços na sua estréia e nos anos subseqüentes. Decorreram várias décadas até que fosse apresentado integralmente e o público pudesse assistir a toda a beleza de sua música.
Em 4 de março de 1877 foi apresentada uma versão reduzida, com grande parte da música de Tchaikovsky cortada e substituída por números de outros bailados. Essa estréia ocorreu no Bolshoi de Moscou. O compositor concluíra a obra em março de 1876. Além disso, todo o elenco era de segunda classe. Tudo isso despertou a falta de interesse do público.
Em 1880 e 1882, com nova coreografia de Olaf Hansen (a coreografia de 1877 foi de Julius Reisinger), foram apresentadas versões reduzidas, que também não agradaram. O Segundo Ato foi apresentado em São Petesburgo em 29 de fevereiro de 1894, já com coreografia de Ivanov. Finalmente, em 8 de fevereiro de 1895, no mesmo Teatro Marinsky, de São Petesburgo, foi apresentado o bailado na íntegra, sendo que a primeira bailarina foi Pierina Legnani (nos papéis de Odette e Odília).
O Lago dos Cisnes foi apresentado pela primeira vez no Teatro Municipal do Rio de Janeiro numa versão reduzida em dois atos e três cenas, em 22 de outubro de 1913, na temporada da Companhia de Bailados Russos, com Nijinsky e Karsavina nos principais papéis. Completava o programa Ballet Cleópatra. Depois disso, foram apresentados trechos do ballet, especialmente o segundo ato e o famosos pas de deux do terceiro ato, intitulado O Cisne Negro. Em 30 de outubro de 1959, em espetáculo repetido em 1º e 4 de novembro, o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro apresentou, pela primeira vez na América Latina, o ballet completo, tendo como principais personagens Bertha Rozanova, Aldo Lotufo e Arthur Ferreira. Daí para cá, o bailado integral já foi levado para a cena no principal cerca de quarenta vezes.
Não se pode falar na evolução histórica do ballet sem se ressaltar a importância do Romantismo, que foi uma espécie de pedra angular da mensagem estética que prevaleceu através dos tempos. O Romantismo atingiu a idade adulta por volta de 1832, quando uma moça sueca de origem italiana chamada Marie Taglioni (1804-1884) emocionou a platéia da Ópera de Paris dançando La Sylphide. Marie Taglioni se caracterizou por sua mensagem de beleza espiritual, com movimentos e expressões etéreas.
Sua maior rival foi Fanny Elssler, justamente o oposto de Taglioni.
Fonte: Ballet - arte, técnica, interpretação, Dalal Achcar
Enciclopédia CD-Rom Encarta
Marius Petipa
Marius Petipa chegou na Rússia em 1847, após o diretor do Teatro Maryinsky tê-lo oferecido a posição de primeiro bailarino e um salário de 10.000 francos por ano. Ele permaneceu ali pelo resto da vida. Petipa revestiu a arte que havia se estagnado em demonstrações virtuosas da técnica clássica apresentadas sem um conteúdo dramático. Sob sua direção artística, a Rússia se transformou no país-líder do ballet. Ele coreografou aproximadamente 60 peças, introduziu o conceito de balé de longa-metragem e construiu o repertório da companhia Russa.
Como coreógrafo, Petipa deu muito de sua atenção às passagens de solistas, marcando cada passo para suavizar as capacidades de seus bailarinos e conscientemente esculpindo os bailarinos à forma estrutural da música. Trabalhando com colaboradores de primeira classe como Tchaikovsky, Petipa foi capaz de coreografar obras-primas que são executadas até hoje. Seu senso teatral o ajudou a dar efeitos de palco que eram convincentes. Ele acreditava em dançar pelo amor da dança.
Como instrutor da Escola Imperial, Petipa aprimorou ainda mais a técnica da dança e suas coreografias. Atingiu o seu apogeu como coreógrafo em 1890. Sua produção de A Bela Adormecida atingiu um sucesso estrondoso, e foi seguido de grandes trabalhos como Dom Quixote, La Bayadère e Zoraya. Também vieram Cinderela, uma versão completa de O Lago dos Cisnes, Raymonda e Harlequinade, entre outros. A Bela Adormecida permanece como o ponto mais alto da união de Tchaikovsky e Petipa; é o apogeu do Ballet Clássico Russo.
Fonte: Site Uma Bailarina
Ballet em dois atos. Coreografia de Filippo Taglioni e música de Jean Scheitzhoeffer. História de Adolphe Hourriet e cenários de Pierre Cicere. Figurinos de Eugene Lami. A primeira apresentação foi realizada no Teatro da Academia Real de Música de Paris, em 12 de março de 1832. Quem estrelou o ballet foi Marie Taglioni, filha do coreógrafo.
Primeiro ato: Numa fazenda escocesa vive James, noivo de Effie, sua vizinha. Dias antes do casamento, o rapaz adormece numa cadeira de balanço e sonha com uma jovem desconhecida, usando um traje branco, longo e transparente. Lá está ao seu lado a Sílfide, ser alado e etéreo que habita as florestas. A moça é tão bela e misteriosa que James fica dividido entre a noiva e a Sílfide.
Gurn, amigo de James e também apaixonado por Effie, desconfia das atitudes estranhas do companheiro e acaba descobrindo as visitas da Sílfide a ele. Corre para contar tudo a Effie, que não lhe dá atenção.
Durante a festa do casamento, chega na casa uma velha estranha de nome Madge - na verdade, uma feiticeira - que pede para ler a mão da noiva. Effie aceita e a velha lhe conta que existe, de fato, um casamento em sua vida, mas não com James. Zangados, os noivos expulsam a bruxa.
Na hora da cerimônia, quando James vai colocar a aliança, a Sílfide aparece e - suplicante e apaixonada - diz a James que morrerá se ele se casar. Misteriosamente, desaparece mais uma vez.
Segundo ato: James deixa Effie no altar e parte em busca da sílfide. Encontram-se numa clareira da floresta e se abraçam. Madge, que jurara vingança ao ser expulsa da festa, oferece um xale para que James o coloque sobre os ombros da Sílfide e assim a transforme em mortal. James obedece, sem desconfiar de nada. Mas o xale enfeitiçado corta as asas que simbolizam a imortalidade da sílfide e a moça morre em seus braços. Madge, não satisfeita, completa a vingança, chamando a atenção do rapaz para os sinos que badalam, indicando o casamento de Effie e Gurn.
Fonte: Giselle e outras histórias de ballet I, Luiza Lagôas
Os mais famosos ballets, Edgard de brito Chaves Júnior
Ana Botafogo na Magia do Palco, Ana Botafogo
Bailado em dois atos, música de Adolphe Adam, libreto de Vernoy de Saint-Georges, Théophile de Gauthier e Jean Coralli, coreografia de Jean Coralli e Jules Perrot, cenários de Pierre Ciceri e figurinos de Paul Lormier. Estréia no Théâtre de l'Académie Royale de Musique, em Paris, em 21 de junho de 1841. Carlota Grisi interpretou Giselle e Lucien Petipa fez Albrecht. A estréia no Brasil ocorreu em 23 de julho de 1849 no Teatro São Pedro de Alcântara do Rio de Janeiro.
Giselle tem como subtítulo Les Wilis. A lenda das Wilis é assim descrita pelo poeta alemão Heinrich Heine: "Existe uma tradição de dançarinas noturnas conhecidas nos países eslavos pelo nome de Wili. As Wilis são donzelas noivas que morreram antes do dia do casamento; essas pobres criaturas não podem repousar em paz em seus túmulos. em seus corações, que cessaram de pulsar, em seus pés mortos, mantém-se ainda a paixão pela dança que elas não puderam satisfazer em vida; e à meia noite levantam-se e juntam-se em bandos pelas estradas, e ai jovem que as encontrar, pois será obrigado a dançar até cair morto. Com seus vestidos de noiva, grinaldas de flores na cabeça e brilhantes anéis nos dedos, as Wilis dançam ao luar como se fossem elfos, seus rostos, embora brancos como a neve, mostram-se belos em sua juventude. Elas riem com tão enganadora alegria, atraem de maneira tão sedutora, suas expressões oferecem tão doces promessas que essas bacantes sem vida são irresistíveis."
Trata-se de um dos mais conhecidos e representados bailados em todo o mundo.
Personagens: Giselle, uma camponesa, Berta, sua mãe, Mirta, rainha das Wilis, Albrecht, Duque da Silésia, Hilarion, apaixonado por Giselle, um monteiro da região, Príncipe da Curlândia, Wilfried, escudeiro do Duque, Bathilde, noiva do Duque.
O bailado transcorre na região renana, na Alemanha.
Primeiro Ato: Pequena praça de uma aldeia. De um lado, a casa de Giselle. Época das vindimas. Desponta a aurora. Uma choupana do lado oposto à casa de Giselle. Hilarion entra, como se estivesse à procura de alguém. Quando Albrecht e Wilfried aparecem, ele se esconde. Albrecht está apaixonado por Giselle, mas diz se chamar Loys e se passa por um camponês a fim de que Giselle corresponda a seu amor. O nobre bate à porta de Giselle, que o recebe alegremente. Depois de consultarem um malmequer, os dois dançam a sua alegria. Hilarion aparece e dá vazão a seu ciúme. Albrecht o despede, mas o monteiro sai com um gesto ameaçador.
Entram os aldeões carregando os cestos. Todos dançam. Sons de trompas anunciam uma caçada. Loys, assustado, sai de cena. Hilarion aproveita para entrar na cabana de Loys. Surgem os caçadores, tendo à frente o Príncipe da Curlândia e sua filha Bathilde. Pedem para beber um pouco e descansar, e Berta os convida a entrar em sua casa. Hilarion sai da cabana carregando uma espada e uma capa. Loys aparece e dança com Giselle e os vindimiadores. Giselle é coroada a rainha da festa. Quando a alegria está no auge, entra Hilarion, com a espada e a capa, revelando quem é Loys. Em seguida, o monteiro pega a trompa de caça e a toca. Os caçadores acorrem, com o Príncipe e Bathilde à frente, que ficam surpresos em encontrar Albrecht ali, naqueles trajes. Giselle reconhece toda a verdade. Enlouquecida, começa a dançar até cair morta. Frustração geral.
Segundo Ato: Uma floresta às margens de uma lagoa. Sob uma árvore, o pequeno túmulo de Giselle, iluminado pelo luar. Hilarion entra com caçadores procurando escapar de uma tempestade. Soa a meia noite, e todos fogem, com medo das Wilis.
Pouco depois, entram as Wilis, que começam a dançar. Mirta, a rainha das Wilis, lhes diz que naquela noite receberão uma nova irmã. Encaminham-se para o túmulo e dele surge Giselle. Ouvem-se passos, e as Wilis se escondem. É um bando de alegres camponeses que as Wilis tentam atrair, mas que conseguem escapar.
Logo depois, entra Albrecht que vem visitar o túmulo da amada. Giselle se apresenta, e os dois dançam, mas são impedidos pelas Wilis. Depois, surge Hilarion, cheio de remorsos. É perseguido pelas Wilis, obrigado a jogar-se na lagoa, e morre afogado.
As Wilis se voltam para Albrecht, que é protegido por Giselle. A jovem diz que ele se agarre à cruz de seu túmulo e não a largue, para sua proteção. Mas, ele não consegue fugir ao encanto, abandona a cruz e é cercado pelas moças. A aurora começa a raiar. As wilis desaparecem, e Giselle é tragada pelo seu túmulo. Albrecht, desesperado, cai desfalecido.
Fonte: Os mais famosos ballets, Edgard de Brito Chaves Júnior
Giselle e outras histórias de ballet I, Luiza Lagôas
Dançarina francesa, La Camargo nasceu em 1710, em Bruxelas, e morreu em 1770 em Paris. Excelente na batterie, muito aplaudida nos tambourins de Rameau, triunfou nas óperas e balés-óperas de Campra, Destouches e Mouret. Devido à sua virtuosidade, executou entrechats e cabrioles, até então passos reservados à dança masculina.
Fonte: Enciclopédia Larrouse Cultural
Marie Sallé
Nascida em 1705, estreou em 1721 na Ópera de Paris, dançando Les Fêtes Venetiennes. Celebrizou-se por sua inteligência. Aboliu o costume de dançar com máscaras, suprimiu as perucas monumentais usadas na época, introduzindo a naturalidade e a sobriedade na indumentária. Dançou muito em Londres, falecendo em 1756.
Fonte: Ballet - Arte, técnica, interpretação, Dalal Achcar
Jean-Georges Noverre
Dançarino, coreógrafo e escritor de dança francês, Noverre nasceu em 1727 em Paris. Revolucionário em suas concepções, como provam suas Lettres sur la danse et les ballets (1760), quis romper com tudo o que tornava pesada a tradição clássica (máscaras, vestidos com anquinhas, saltos altos) e criou novas regras e novos suportes (música, cenários, mise-en-scène). ALgumas lições deste livro ainda são atuais. Inventor do ballet de ação, colaborou com Gluck (Medéia e Jasão, 1763) e Mozart (Les petits riens, 1778). Entre suas atividades, Noverre exerceu a de professor de dança, que ensinou até mesmo Maria Antonieta. Morreu em Saint-Germain-en-Laye, em 1810.
Fonte: Enciclopédia Larrouse Cultural
Ballet - arte, técnica, interpretação, Dalal Achcar
O Ballet Cômico da Rainha foi um grande espetáculo da corte francesa, considerado ponto de partida como arte de contar uma história através da dança. Tal apresentação foi encomendada pela rainha Catarina de Medicis, mãe de Henrique III, para uma festa de casamento, ao músico Beaujoyeux, conhecido como grande organizador de festas compostas de música, dança e teatro.
A festa realizou-se em 15 de outubro de 1581 na Salle du Petit Bourbon e constou de uma representação coreográfica dramática, musical e cenográfica em um prólogo, dois atos e um grande final, com a presença dos seguintes intérpretes: Mlle. de Saint Mesme (Circe); TM. de La Roche (nobre); M. de Beaulieu (Clauco); Mlle. de Beaulieu (Tetis); Mlles. de Vittri, de Surgeres, de Lavernay, d'Estavay (ninfas); M. de Jutigny (Pan); M. du Pont (Mercúrio); a Rainha da França (participação especial); os membros da corte de Henrique II (participação especial); Coreografia de Balthazar de Beaulieu, Salmon e Beaujoyeux. Cenário e figurinos de Jacques Patin.
No libreto desse ballet, publicado em 1582, o próprio Beaujoyeux escreveu sobre a sua criação dizendo da originalidade e novidade dessa forma de espetáculo em que a dança tem um tratamento especial em relação à música, à poesia e ao canto, artes presentes na apresentação, porém, a serviço da dança.
A história se passa no jardim do palácio da deusa Circe e conta que um nobre prisioneiro dessa deusa foge do seu cárcere e chega aos domínios do rei para pedir que o ajude a conseguir sua liberdade. Tentando cativar a simpatia e a proteção real, o homem conta a sua história fazendo uma cena exagerada e engraçada com gestos enormes e palavras rimadas como se declamasse uma poesia.
O Rei fica interessado e encantado com o feito do nobre, começa a imaginar toda aquela fantasia que ele declamava a respeito do reino da deusa e do seu aprisionamento. Imaginava tudo como se fosse uma realidade.
O Ballet Cômico da Rainha - continuação
Em seu favor, chegam também até o Rei três sereias e um tritão - deus do mar, meio homem, meio peixe -, que entram cantando e dançando, e não só confirmam as notícias do nobre, mas também prometem a presença de mais moradores do reino de Circe que logo estarão ali para contar suas vidas fantasiosas. Surge então uma grande fonte puxada por três cavalos marinhos, cheia de náiades - deusas das fontes e dos rios - que se dirigem ao Rei e dão seu depoimento cantando uma linda canção, acompanhada por doze pares de ninfas e pajens dançarinos.
No momento em que todos estão pedindo ao Rei a liberdade do prisioneiro, surge a deusa Circe, que ao perceber que alguma coisa contra ela está sendo tramada, imobiliza a todos com sua varinha mágica. Até o deus Mercúrio que estava entrando pessoalmente, para combater a poderosa Circe, é vítima da sua força e também fica paralisado.
Sob o poder da magia da deusa, todas essas pessoas encantadas vão se transformando em animais e seguem com ela para viver no interior de um bosque, onde é a soberana.
Novamente sozinho, o Rei, vendo o salão sozinho, entristece e quase se perde, mas a chegada de um grupo de dríades-ninfas dos bosques - que cantam e dançam acompanhadas por três cômicos flautistas - o alegra novamente. No meio das danças, as ninfas descobrem a caverna do deus Pan a quem vão pedir para livrar o bosque do do encantamento de Circe e libertar seus amigos. Ouvindo o apelo das ninfas a Pan, a deusa Minerva se une a eles e canta para o Rei toda a sua sabedoria. No seu canto, chama o deus Júpiter para que os acompanhe também, na tentativa de salvar o bosque do poder de Circe e os apóie com sua força de divindade.
Todo o grupo, liderado por Pan e seus oito pajens, se dirige para o castelo de Circe, disposto a acabar com o encantamento feito por ela. Sabendo da caravana que se aproximava dos seus domínios e ouvindo gritos estranhos dos animais encantados, a deusa corre para o bosque a fim de combater os intrusos mas é impedida de chegar até lá por um raio de Júpiter.
Vencedores, deusas, deuses, cômicos e ninfas voltam ao castelo do Rei para uma grande homenagem ao soberano e para entregar a ele a deusa Circe como prisioneira.
O Ballet Cômico da Rainha - continuação
As dríades entram dançando uma linda melodia cantada por Júpiter e as náiades se dirigem ao centro do salão, iniciando um grande baile para o qual todos, imortais, deuses e reis, humanos e não-humanos, são convidados a participar e a se divertir.
Fonte: Carmem e outras histórias de ballet II, Luiza Lagôas.
A dança é a mais antiga das artes criadas pelo homem. Nas pinturas das cavernas pré-históricas, podemos ver a tentativa dos primeiros artistas de mostrar o homem primitivo dançando instintivamente, usando seus gestos e movimentos para agradar ou acalmar seus deuses, pedir chuvas, curar doenças, agradecer vitórias, celebrar alguma festa, enfim, o homem dançava em cada manifestação de vida.
A dança, como arte de divertir, surgiu com o teatro grego que incluía o canto e a pantomima nos seus espetáculos dançados; os gregos foram os primeiros a usar a dança e os gestos para explicar as partes complicadas da história contada.
Os antigos romanos combinavam música e dança com acrobacias e números de circo para ilustrar fábulas populares.
Não só na Grécia e em Roma, mas também no Egito antigo a dança foi desde muito cedo a maneira de celebrar os deuses, de divertir o povo e a partir desse ritual se desenvolveram os elementos básicos para a arte teatral atual.
O ballet clássico é o desenvolvimento e a transformação dessa arte primitiva, que baseava-se no instinto, param uma dança formada de passos diferentes, de ligações de gestos e de figuras previamente elaboradas para um ou mais participantes.
Na Itália, os primórdios
A história do ballet começou há 500 anos, na Itália. Em seus ricos salões, os nobres italianos divertiam seus ilustres visitantes com espetáculos de poesia, música, mímica e dança. Essas luxuosas e demoradas apresentações (no mínimo 3 horas) contavam com ricos e pesados trajes e cenários feitos por badalados pintores, como Leonardo da Vinci.
A primeira apresentação de ballet que se tem notícia data de 1489, comemorando o casamento do Duque de Milão Galeazzo de Sforza com Isabel de Aragon, organizada por Bergonzio di Botta. Estas apresentações ocorridas na corte italiana possuíam delicados movimentos de cabeça, braços, tronco, pernas e pés.
Para a existência de bons bailarinos, surgiram os primeiros professores de dança, que viajavam por vários lugares ensinando para ocasiões como casamentos, alianças políticas, vitórias de guerra, etc.
Logo, o ballet iria chegar à França, onde teria uma de suas grandes evoluções.
O ballet chega à França
Quando a italiana Catarina de Medicis casou com Henrique II, se tornou rainha da França e introduziu com grande sucesso o ballet na corte francesa. O mais famoso espetáculo apresentado lá foi o Ballet Cômico da Rainha, ou do Reino, produzido por Balthazar Beaujoyeux em comemoração ao casamento da irmã de Catarina. Essa extravagante apresentação durou mais de cinco horas, contando com carros alegóricos, muito luxo e mais de 10 mil espectadores.
O Ballet Cômico da Rainha foi uma grande influência na formação de conjuntos de dança de todo o mundo, além de invejar todas as casas nobres européias. Como diz o nome, o tema era para fazer rir, assim como todas as outras apresentações francesas da época.
Certa vez, em uma apresentação na corte francesa, poetas compuseram versos sobre o enredo do espetáculo, que foram distribuídos entre os espectadores. A idéia teve grande sucesso, e assim, as apresentações passaram a ser divididas em três partes: entrées, ou seja, a dança propriamente dita, récits, onde o tema exposto anteriormente é apresentado através de cantos ou declamações, e vers, textos compostos para saudar os atores.
Assim, o ballet ia se tornando cada vez mais popular, alcançando seu auge na época de Luís XIV.
Luís XIV - Revolução
Luís XIV, rei da França com 5 anos de idade, tornou-se um grande bailarino. Desde os seus 12 anos apresentava-se em ballets da corte, e tamanho foi o seu sucesso no "Ballet da Noite" que ganhou o título de Rei Sol.
Foi Luís XIV que fundou, em 1661, a Academia Real de Ballet e a Academia Real de Música, ambas dirigidas por Jean-Baptiste Lully, que criaria vários ballets. Outra pessoa que teve bastante importância nessas academias foi Charles Louis Beauchamp, dito "inventor" das cinco posições, que se tornaram a base de todo o aprendizado acadêmico do ballet clássico.
Porém, apesar de todo esse acesso ao ballet, os dançarinos eram só homens, o que era um atraso na evolução daquelas. Mas, logo após a morte de Luís XIV, essa situação mudaria, tornando-se o ballet não só uma arte, mas uma profissão.
O ballet evolui
Foi no fim do século XVII que a mulher ganhou de vez o seu espaço no ballet clássico. O primeiro registro de uma contratação de mulheres para dançar junto com homens foi no ballet "Le Triomphe de l'amour", em 1681. Junto com isso veio a profissionalização da dança. Os espetáculos foram transferidos de salões para teatros, e logo as bailarinas começaram a fazer sucesso, apesar de serem dificultadas em seus movimentos no princípio devido ao pesado figurino.
Uma das que mais lutaram pela mudança de figurinos foi La Camargo (Marie Anne de Cupis de Camargo), que escandalizou a todos levantando a saia até a metade da panturrilha e abolindo o salto dos sapatos, mostrando assim melhor os passos que executava. Aliás, foi La Camargo quem criou os passos entrechat quatre, jeté e pas de basque. Sua rival, Marie Sallé, aboliu o penteado extravagante que as bailarinas usavam, mas lançou uma moda que não pegou: ela vestia uma espécie de túnica, abolindo o corpinho justo, que até hoje as bailarinas usam.
A primeira obra sobre a técnica do ballet também surgiu nessa época. Jean-Georges Noverre lançou o livro Lettres sur la danse et sur les ballets, considerada até hoje a mais importante obra do gênero. Foi Noverre também quem criou o Ballet de Ação. Ele percebeu que o ballet deveria exprimir mais do que simples movimentos, deveria exprimir um significado, narrar uma história. Assim, foram abolidos os cantos e a declamação, e tudo passou a ser "contado" por passos de dança. Noverre também trouxe figurinos leves e a ligação entre as danças, formando uma história.
Porém, o ballet passou por um período negro: a Revolução Francesa. A época era caracterizada pela ascensão da burguesia e pela decadência da nobreza, que era quem financiava e apoiava a dança da época. Assim, devido à censura burguesa, várias peças com referências à mortandade das guilhotinas (que executavam nobres reis) foram proibidas. Foram fechadas também as Academias Reais de Dança e de Música, que só seriam reabertas na Restauração. Apesar disso, logo viria o Romantismo, que daria um novo impulso ao ballet.
O Romantismo
O Romantismo apareceu no século XIX e transformou não só o ballet como todas as artes. Nele, aparecem figuras exóticas e etéreas, como ninfas e fadas trajando longos vestidos, hoje chamados tutus românticos. Ao mesmo tempo, essas figuras imaginárias dançam com príncipes e camponeses. Nessa época, surgiram grandes ballets como Giselle e La Sylphide, que traduzem exatamente o Romantismo daquela época.
La Sylphide mostra imagens sobrenaturais, fadas e mitos misteriosos. Nesse ballet surgiu uma grande evolução na dança clássica: as pontas. Marie Taglioni, que representava o papel principal, foi quem inaugurou este importante instrumento. Aliás, o ballet La Sylphide foi feito para ela por seu pai, Filippo Taglioni.
Já Giselle é considerado até hoje o maior teste para uma bailarina, pois além da técnica, exige qualidades emotivas de seus intérpretes. Nesse ballet, a consagrada foi Carlota Grisi.
O Romantismo também mostrou uma nova maneira de estruturar o espetáculo: a bailarina era o elemento principal, sendo que o grupo como um todo tinha menor importância.
Porém, após algum tempo, o Romantismo empobreceu-se, e isso causou o declínio do ballet na Europa. Porém, a leste dali, mais exatamente na Rússia, a evolução era grande, e as bailarinas e bailarinos russos estavam chegando para firmarem seu país como uma grande potência da dança.
Na Rússia
Com a decadência do Romantismo e conseqüentemente do ballet na Europa, o ballet russo começou a ter um enorme destaque na França, Itália e outros países.
Foram criadas as companhias do Ballet Imperial em Moscou e São Petersburgo (hoje Leningrado). Lá, vários bailarinos e coreógrafos franceses foram admitidos, e as companhias foram reconhecidas por suas soberbas apresentações.
Um dos grandes responsáveis por esse desenvolvimento foi Marius Petipa, bailarino e coreógrafo francês. Petipa havia ido à Rússia em 1847 somente para um passeio rápido, mas tornou-se coreógrafo chefe e nunca voltou à França. Graças a Petipa, o centro mundial de dança transferiu-se para São Petersburgo. Foi ele também quem criou importantes ballets, como O Lago dos Cisnes, Quebra-Nozes e A Bela Adormecida. Nos ballets de Petipa, sempre havia danças importantes para o corpo de baile, variações para os bailarinos principais e um grande pas-de-deux para a primeira bailarina e seu partner.
Na Rússia, o ballet absorveu o que havia de melhor no ballet italiano, o allegro (saltos, vivacidade), e o que havia de melhor no ballet francês, o adágio (equilíbrio, graça, leveza). Além disso, o ballet russo também absorvia um pouco da sua cultura, ou seja, a dança a caráter e folclórica. Na Rússia, também descobriram-se grandes coreógrafos e bailarinos, como Petipa, Cecchetti, Anna Pavlova, Nijinski, Fokine, etc. Também descobriu-se a beleza da música de Tchaikovsky, que estava presente em vários ballets de Petipa.
Porém, essa grande fase não duraria para sempre. Logo, Petipa e companhia foram considerados ultrapassados e o ballet entrou em decadências. Porém, logo chegaria um grande nome que novamente acenderia a chama da dança.
Diaghilev
Serge Diaghilev veio revolucionar o ballet, não só o russo como também o francês, o italiano, enfim, o de todo o mundo. O russo era um editor de uma revista de artes, e estava cheio de novas idéias para aplicar na dança. Porém, Diaghilev achava que São Petersburgo não estava preparado para tais mudanças. O editor então escolheu Paris para aplicar sua arte.
Primeiramente, Diaghilev organizou uma exposição de pintores russos, que fez um grande sucesso. Depois promoveu os músicos russos, a ópera russa e finalmente, o ballet russo. Foi Diaghilev quem trouxe profissionais das Companhias Imperiais russas, como coreógrafos e bailarinos. Os franceses receberam muito bem os novos visitantes, e a crítica francesa fez os melhores comentários em relação ao ballet russo.
Mas eles não agüentariam ficar mais tempo fora de casa. Em 1911, foram convidados para voltar ao seu país, formando assim uma companhia: "Ballet Russo".
Assim, Diaghilev revelou ao mundo vários artistas russos. Não mostrou só o ballet, mas também a música, a pintura, etc. A Companhia "Ballet Russo" encantou platéias da Europa e da América, fragmentando-se depois por todo o mundo.
Depois de Diaghilev
Após a morte de Diaghilev, em 1929, sua companhia Ballet Russo desfragmentou-se pelo mundo todo, apesar dos esforços de seus sucessores. Porém, não podemos dizer que ela acabou, pois até hoje existem companhias que seguem fielmente o método russo de dançar. Uma delas foi a Companhia de Anna Pavlova, que excursionou até mesmo aqui no Brasil.
As excursões das companhias russas foram muito importantes para estimular novos talentos. Um deles foi George Balanchine, que, apesar de russo, obteve seu maior êxito nos Estados Unidos. Balanchine foi o Diaghilev do Ocidente; assim como o mestre russo, ele revelou vários talentos e inaugurou uma nova maneira de dança.
Não foi só na América que aconteciam revoluções, na França, o espírito pelo ballet também estava renascendo mesmo depois da morte de Diaghilev. Também acontecia o mesmo na Inglaterra, o importante Royal Ballet estava despontando para o sucesso com a incrível bailarina Margot Fonteyn.
Mesmo após a morte de grandes mestres russos, o ballet crescia e cresce cada vez mais. Qual será o próximo passo, qual será o próximo mestre, a próxima evolução? Ninguém pode dizer. O ballet moderno também já conquistou espaço no mundo. Estaria o ballet clássico ameaçado pelas modernidades? Não, é claro que não. Grandes ballets do passado ainda estão em cartaz, assim como a arte dos antigos mestres ainda é preservada. E, afinal, ainda existem espaços como este, que popularizam cada vez mais o ballet e não deixam essa linda arte se acabar...
Bibliografia
- Giselle e outras Histórias de Ballet I, Luiza Lagôas
- Enciclopédia Barsa CD-Rom
- Primeros Pasos en Ballet Clasico, Cocó Comín
- Enciclopédia Compacta de Conhecimentos Gerais
- Os mais famosos Ballets, Edgard de Brito Chaves Júnior
encontrei algumas frases que ao ler me identifiquei com mtas delas e com certeza vcs (que dançam) tbém vão encontrar algo que vcs façam.. é mta legal:
* Vc usa longos corredores para treinar gran jete.
* Vc tem mais sapatilhas do que sapatos normais.
* Alguns te confundem com um pedaço de borracha, ou entaum te chamam de "menina elástica".
* Em vez de dedos, vc tem bolhas nos pés.
* Vc sobe na meia ponta qndo conversa com seus amigos.
* Vc se senta na abertura confortavelmente.
* Vc coloca sua sapatilha de ponta para alcançar objetos que estão em lugares altos.
* A dança é sua vida, o resto é apenas passatempo (isso é verdade neh...rs)
* Piruetas e fouette são as palavras principais de seu vocabulário.
* Vc conhece + palavras em Francês do que em inglês.
* Vc só consegue contar até oito.
* Vc rí qndo alguém que ñ dança reclama que o pé está doendo.
* Assistir TV é a hora de se alongar.
* Vc promete nunca parar de dançar até o final de sua vida.
* Vc atravessa um corredor dançando, ao invés de andar (no meu caso é dando gran jete).
* Todos os seus amigos estão jantando, se divertindo, enquanto vc está ensaiando.
* Vc faz gran jete no estacionamento e qndo está atravessando a rua.
* Vc tem os músculos mais fortes do que os meninos do seu colégio.
* Vc usa breu em vez de sabão.
* Antes de qualquer coisa vc conta 5,6,7 e 8. (eu faço isso em tdo...rs)
* Vc escova os dentes treinando sustentamento devant, la second e derriere.
10 DICAS PARA SE TORNAR UMA GRANDE BAILARINA
1- Se respeite acima de tudo, e valorize seu trabalho. Confiança é a chave do sucesso!
2- Estude bastante e mantenha-se sempre aberta às novas descobertas, aprendendo cada vez mais.
3- Cuide do seu corpo e mantenha-se sempre bonita! O corpo é o templo do seu espírito.
4- Irradie alegria!
5- Não considere as outras bailarinas concorrentes ou rivais; mas sim como amigas que podem trocar experiências aprendendo umas com as outras.
6- Escolha músicas e roupas adequadas. Elas valorizam sua dança.
7- Seja humilde; assumindo seus erros e conhecendo seus pontos fracos; tentando sempre melhorá-los.
8- Seja exclusiva! Procure sempre inovar; e não tente copiar ninguém.
9- Descubra que sua verdadeira função na dança é transmitir alegria para outras pessoas através da sua arte. Faça valer esse dom!
10- Ame a Dança, e acima de tudo AME a DEUS!!!
